Não trate alunos de EJA como crianças
Pessoas com mais de 15 anos - mesmo na condição
de alunos - não são crianças crescidas. Da mesma forma que, no trabalho, um
senhor de 50 anos não ouve do chefe "Vamos fazer um relatório bem
bonitinho", ele não deve vivenciar situações como essa na escola.
O trato infantilizado é um dos motivos da evasão nas
turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nasce com a ideia equivocada de
que se deve dar ao estudante, jovem ou adulto, o que ele não teve quando
criança. Por causa disso, é preciso também mudar a abordagem e, muitas vezes, o
conteúdo. Trabalhar com material didático infantil sem levar em conta as
expectativas de aprendizagem e os conhecimentos prévios é um equívoco com a
mesma raiz.
A EJA tem de ser encarada como um atendimento específico,
que pede um currículo próprio. Só assim o grupo vai aprender e tomar
consciência do que está fazendo. Se o educador quiser abordar a origem do ser
humano, deve tratar o tema de forma adulta, com respeito à diversidade
religiosa - sem se desviar das propostas curriculares - e aprofundar a
discussão científica, mais do que faria numa turma de crianças.
E, embora a necessidade de respeito à vivência prévia
valha para todos os alunos, seja lá qual for a idade deles, no caso de jovens e
adultos essa é mais uma premissa fundamental. Cantigas e parlendas - usadas na
alfabetização dos pequenos - podem ser substituídas por poesias, mais
apropriadas para os leitores mais velhos.
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