A Importância da Leitura nas Séries Iniciais Escrito por Elisangela Monteiro e Luciene Gil dos Santos
RESUMO
Neste trabalho, buscou-se evidenciar a leitura em
seus diversos aspectos e possibilidades, demonstrar a importância da criação
do hábito de ler desde as séries iniciais. Para o seu desenvolvimento foi
elaborada revisão bibliográfica através de autores que tratam desse onde
verifica-se que a leitura é de suma importância para o aprendizado, pois leva
o leitor ao conhecimento científico e o conhecimento do mundo, o qual
refletirá para o leitor em novos conhecimentos. Ajuda também o aluno a
aumentar o seu vocabulário e suas expressões, envolvendo o leitor com idéias,
as quais lhe darão enfoques abrangentes para o conhecimento cultural do qual
depende o seu progresso na vida. A leitura é um dos principais instrumentos
para que o indivíduo construa o seu conhecimento e aprenda a exercer sua
cidadania.
Permite também o exercício da fantasia e leva
quem lê a construir um mundo imaginário, onde pode exercer sua reflexão
crítica e promove o debate de idéias.
Sabe-se também que a leitura é uma condição
prévia para a escrita, pois bons leitores são bons escritores, suas produções
de textos são dinâmicas e consonantes.
Demonstra também que o ato de ler deve ir além da
leitura das letras, de palavras; levando o indivíduo à leitura de mundo, do
contexto cultural onde ele vive possibilitando assim o desenvolvimento do
senso crítico.
Palavras chave: Leitura, escrita, aprendizado,
conhecimento de mundo
1. INTRODUÇÃO
A leitura,
as práticas e as competências leitoras têm ocupado espaço considerável na
educação e na mídia brasileira.
Entende se
que, ainda que todos os quesitos ideais necessários a uma prática de ensino
da leitura fossem efetivados na escola, indispensável seria a presença de
professores leitores, que sentissem prazer na leitura, que fossem bem
informados e instrumentalizados para tal prática.
Este
estudo pretende desenvolver atividades que convergem para ações voltadas
diretamente para alunos e professores das séries iniciais do ensino
fundamental.
Prevê na
motivação da leitura nas séries iniciais para a formação de leitores
efetivamente comprometidos com a prática social.
Estimular
o uso da literatura infantil como elemento essencial para a formação do
leitor nas séries iniciais; Estimular o trabalho com a oralidade no texto
literário, aproveitando o universo infantil para as várias possibilidades de
leitura; Formar o professor das séries iniciais como contador de histórias e
criar conjuntamente metodologias que proporcionem a formação do gosto.
Proporcionar
acesso de alunos das séries iniciais a novas tecnologias, como o computador,
por exemplo, desmistificando seu uso e viabilizando-o como nova possibilidade
de linguagem.
O ensino e a aprendizagem da leitura
O ato de
ler é um processo abrangente e complexo; é um processo de compreensão, de
entender o mundo a partir de uma característica particular ao homem: sua
capacidade de interação com o outro através das palavras, que por sua vez
estão sempre submetidas a um contexto. Desta forma as autoras afirmam que a
recepção de um texto nunca poderá ser entendida como um ato passivo, pois
quem escreve o faz pressupondo o outro. Desta forma, a interação leitor-texto
se faz presente desde o início de sua construção.
Nas trilhas do mesmo entendimento, Souza (1992)
afirma:
"Leitura é, basicamente, o ato de perceber e atribuir
significados através de uma conjunção de fatores pessoais com o momento e o
lugar, com as circunstâncias. Ler é interpretar uma percepção sob as
influências de um determinado contexto. Esse processo leva o indivíduo a uma
compreensão particular da realidade"(p. 22).
Vislumbramos em Freire (1989) este olhar sobre leitura quando nos diz que a "leitura do mundo" precede a leitura da palavra, ou seja, a compreensão do texto se dá a partir de uma leitura crítica, percebendo a relação entre o texto e o contexto.
Dessa
forma, um leitor crítico não é apenas um decifrador de sinais, mas sim aquele
que se coloca como co-enunciador, travando um diálogo com o escritor, sendo
capaz de construir o universo textual e produtivo na medida em que refaz o
percurso do autor, instituindo-se como sujeito do processo de ler.
Nesta
concepção de leitura onde o leitor dialoga com o autor, a leitura torna-se
uma atividade social de alcance político. Ao permitir a interação entre os
indivíduos, a leitura não pode ser compreendida apenas como a decodificação
de símbolos gráficos, mas sim como a leitura do mundo, que deve ser
constituída de sujeitos capazes de compreender o mundo e nele atuar como
cidadãos.
A leitura
crítica sempre leva a produção ou construção de um outro texto: o texto do
próprio leitor. Em outras palavras, a leitura crítica sempre gera expressão:
o desvelamento do SER leitor. Assim, este tipo de leitura é muito mais do que
um simples processo de apropriação de significado; a leitura crítica deve ser
caracterizada como um estudo, pois se concretiza numa proposta pensada pelo
ser no mundo, dirigido ao outro. (SILVA, 1985). Brandão (1997) nos afirmam
que o leitor se institui no texto em duas instâncias:
Essa é uma
perspectiva que concebe a leitura como um processo de compreensão amplo,
envolvendo aspectos sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos,
neurológicos, bem como culturais, econômicos e políticos. Segundo Martins
(1989), o ato de ler é considerado ''um processo de compreensão de expressões
formais e simbólicas, por meio de qualquer linguagem''.
Assim, no
momento da leitura, o leitor interpreta o signo sob a influência de todas as
suas experiências com o mundo, ou seja, sua memória cultural é que
direcionará as decodificações futuras.
A escola torna-se
fator fundamental na aquisição do hábito da leitura e formação do leitor,
pois mesmo com suas limitações, ela é o espaço destinado ao aprendizado da
leitura. "É na escola que identificamos e formamos leitores"
Bamberger (1988). Quando se fala em criança, pode-se perceber que a
literatura é indispensável na escola como meio necessário para que a mesma
compreenda o que acontece ao seu redor e para que seja capaz de interpretar
diversas situações e escolher os caminhos com os quais se identifica.
Tradicionalmente,
na instituição escolar, lê-se para aprender a ler, enquanto que no cotidiano
a leitura é regida por outros objetivos, que conformam o comportamento do
leitor e sua atitude frente ao texto. No dia-a-dia, uma pessoa pode ler para
agir – ao ler uma placa, ou para sentir prazer – ao ler um gibi ou um
romance, ou para informar-se – ao ler uma notícia de jornal. Essas leituras,
guiadas por diferentes objetivos, produzem efeitos diferentes, que modificam
a ação do leitor diante do texto. São essas práticas sociais que precisam ser
vividas em nossas salas de aula.
Apesar de
todos os problemas funcionais e estruturais, é na escola que as crianças
aprendem a ler. Muitas têm no ambiente escolar, o primeiro (e, às vezes, o
único) contato com a literatura. Assim fica claro que a escola, por ser
estruturada com vistas à alfabetização e tendo um caráter formativo,
constitui-se num ambiente privilegiado para a formação do leitor.
A
literatura infantil é como uma manifestação de sentimentos e palavras, que
conduz a criança ao desenvolvimento do seu intelecto, da personalidade,
satisfazendo suas necessidades e aumentando sua capacidade crítica. Esta
literatura, como já foi expressa, tem o poder de estimular e/ou suscitar o
imaginário, de responder as dúvidas do indivíduo em relação a tantas
perguntas, de encontrar novas idéias para solucionar questões e instigar a
curiosidade do leitor. Nesse processo, ouvir histórias tem uma importância
que vai além do prazer.
É através
de um conto e/ou de uma história, que a criança pode conhecer coisas novas,
para que efetivamente sejam iniciados a construção da linguagem, da
oralidade, idéias, valores e sentimentos, os quais ajudarão na sua formação
pessoal.
Muitos
estudos e pesquisas têm evidenciado a importância das atividades literárias
diferenciadas no contexto educacional para o bom desempenho da criança. A
utilização da literatura como recurso pedagógico pode ser enriquecida e
potencializada pela qualidade das intervenções do educador.
Nesse
contexto, o professor deve proporcionar várias atividades inovadoras,
procurando conhecer os gostos de seus alunos e a partir daí escolher um
trabalho ou uma história que vá ao encontro das necessidades da criança,
adaptando o seu vocabulário, despertando esse educando para o gosto, deixando-o
se expressar.
Acredita-se
assim que a proposta de atividades variadas é de grande valor para o processo
de construção da autonomia e desenvolvimento da criança em formação.
Os autores
chegam a afirmar que a capacidade de ler é a grande herança que a escola pode
deixar para o aluno. Com base neles, encerramos nossa exposição, dizendo que
a leitura - tal como aqui concebida -, se for bem aprendida e prosseguir fora
da escola, constitui-se num caminho para a realização de mais interações,
construção de mais sentidos, superação do imediato e concretização de uma
vida mais feliz para todos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAMBERGER, Richard.
Como incentivar o hábito de leitura. 4 ed. São Paulo: Ática, 1988.
BRANDÂO, Helena; MICHELETTI, Guaraciaba. Teoria e prática da leitura. In: Ensinar e aprender com textos didáticos e paradidáticos. São Paulo: Cortez, 1997. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam.23ª. ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989. SILVA, Ezequiel T. Leitura: algumas raízes do problema. Campinas, FE/UNICAMP, 1985. SOUZA, Renata Junqueira de. Narrativas Infantis: a literatura e a televisão de que as crianças gostam. Bauru: USC, 1992.
Elisangela Monteiro - Discente do
curso de pós- graduação Psicopedagogia Clinica
Luciene Gil dos Santos - Discente do curso de pós- graduação Psicopedagogia ClinicaJosé Olímpio dos Santos - Prof. Doutorando, Orientador e Coordenador do Curso.
http://www.impactosmt.com.br/index.php/artigos/28-a-importancia-da-leitura-nas-series-iniciais
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