A origem das micaretas


Popularmente conhecida como Carnaval fora de época, a chamada micareta, assim como o próprio Carnaval, encontra sua origem na França e sua primeira “edição” teria ocorrido ainda no século XV em meio à Quaresma, o período religioso de abstenção de vícios e prazeres carnais.
Sabe-se notoriamente que o Carnaval é a maior festa de expressão popular existente no Brasil e que todo ano arregimenta milhões e milhões de foliões pelo Brasil. Carnavais como o do Rio de Janeiro (RJ), São Luiz do Paraitinga (SP), Salvador (BA) e das cidades irmãs, Recife e Olinda (PE), mostram a paixão que muitos brasileiros têm por essa época.
A micareta, por sua vez, é um Carnaval fora de época e também arrasta multidões Brasil a fora. O termo micareta deriva do francês mi-carême (“meio da Quaresma”) e teve esse nome justamente por acontecer em meio à Quaresma, um período sagrado de algumas igrejas cristãs, como a católica e a ortodoxa, que antecede à Páscoa e é marcado pela abstenção geral de prazeres mundanos, etc..
A Luta entre o Carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel.


A micareta no Brasil

No Brasil, a primeira micareta teria ocorrido no início do século XX na agradável cidade de Jacobina, na Bahia, de onde os festeiros teriam irradiado a animação por todo o estado, passando pela cidade de Feira de Santana onde a folia teria se solidificado. Há, inclusive, uma discórdia entre as cidades de Jacobina e Feira de Santana sobre qual teria realizado a primeira Micareta.
Discussão à parte, no ano de 1989, a forrozeira cidade de Campina Grande, na região agreste do estado da Paraíba, criou a primeira grande micareta fora da Bahia, acabando por fortalecer a ideia do carnaval fora de época. Desta forma, as micaretas foram se alastrando pelo Brasil, de acordo com a aceitação encontrada em cada região… Virou sucesso.
Os trajes da festança – os conhecidos abadás – encontram origem e evolução na mistura das culturas da África e do Brasil. “Nos cultos religiosos afro-brasileiros, o abadá designava uma túnica apropriada para a celebração de determinados rituais. Tempos mais tarde, foi reutilizada para nomear a roupa dos capoeiristas. No ano de 1993, a Banda Eva popularizou o termo quando apelidou a roupa do seu bloco com o mesmo nome.” (SOUSA, 2015, s/p)
REFERÊNCIAS:
GAUDIN, Benoit. Da mi-carême ao carnabeach: história da(s) micareta(s). Acesso em: 14 jan. 2015.
SOUSA, Rayner. A origem das micaretas. Acesso em: 14 jan. 2015.
Itajuípe e Chiclete com Banana eram sinônimos de grandes micaretas na década de 80. O município sul-baiano atraía gente de todo o estado para o carnaval fora de época. Com Missinho e Bel ainda sem bandana, a banda de axé se apresentava em cima de trios elétricos e arrastava multidão.
Esse período dourado da Velha Pirangi vem sendo recuperado por Eugênio Nobre numa rede social. Via Facebook, o músico também recupera grandes apresentações de músicos regionais – Banda Phase, Embalo 4 e por aí vai. E, ainda, tem show do impagável Genival Lacerda.

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